A Festa

Festa do Feijão Festa do Feijão Festa do Feijão Festa do Feijão Festa do Feijão

Em sua 35ª edição, a Festa do Feijão se tornou uma das principais atrações da região e a principal festa de Lagoa Formosa. Um evento que vem crescendo a cada edição e atraindo frequentadores oriundos de todo o Brasil e principalmente de cidades próximas. Trás este ano em sua grade de programação, grandes atrações artísticas e culturais: são shows, bailes, rodeios, leilões, cavalgada, concurso de marcha e diversas palestras e encontros. É uma festa totalmente diversificada.

Uma realização do Sindicato dos Produtores Rurais de Lagoa Formosa e Prefeitura Municipal de Lagoa Formosa.

Histórico

Em 1976 nascia o Lions Clube de Lagoa Formosa, e junto com ele, a Festa do Feijão.

O recém criado clube nascia com grande fôlego e prometia um trabalho jamais visto na cidade. Os seus sócios pensavam e não cansavam de imaginar promoções que pudessem quebrar a rotina de arraial que prevalecia até então. Em uma das reuniões costumeiras, sugeriu que fosse organizada uma festa em comemoração ao aniversário da cidade que, serviria também, para levar o nome do município aos vários recantos regionais. Não faltou apoio à idéia.

A idéia foi crescendo. Havia resistência por parte de alguns sócios do clube, mas nada que faria a idéia declinar. Veio também da Prefeitura Municipal, através do seu prefeito João de Deus Vieira e também sócio do Lions, apoio à idéia.

Aí veio a questão: vai se fazer uma festa, mas que festa, festa de que? Vários nomes foram sugeridos, mas Festa do Feijão foi a preferida entre os sócios do clube e a prefeitura.

Por que Festa do Feijão? Pelo potencial agrícola do município e pelo fato de que a maioria da população do município na época vivia da agricultura e sabia bem da importância que a leguminosa representava na economia local.

Iniciava-se então, um minucioso trabalho para que a festa fosse realmente realizada. Na divisão dos trabalhos para a primeira festa, caberia à prefeitura a parte financeira, além é claro, da parte cívica, já que seria comemorado o aniversário da cidade. A ACAR (Associação de Crédito e Assistência Rural, hoje EMATER) foi a primeira entidade compromissada com o evento e aliou-se ao Lions Clube para que o evento tomasse corpo e forma. Afinal era Festa do Feijão, e tanto o produto como os produtores deveriam ter um grande realce durante o evento.

O LTC recentemente criado e inaugurado seria a sede dos acontecimentos sociais. A rua, mais precisamente a orla da lagoa, sediaria os eventos, onde barracas de madeira foram montadas, já que na época ainda não havia parque de exposições.

Um belo desfile estudantil não poderia faltar. Nossas escolas não mediram esforços e colocaram nas ruas as alegorias criativas e artísticas alusivas ao acontecimento.

As três primeiras candidatas à Rainha do Feijão, Helena Maria Soares, Ilza Gomes Mundim e Raquel Maria de Matos, escolhidas minuciosamente e sob sigilo, estavam exuberantes e vieram coroando o desfile em um belo carro alegórico. Lá no alto, uma enorme balança daquelas de dois pratos, equilibrava em um deles ramagens de feijão e, no outro, flores tão abundantes em nossas praças até então. O voto popular escolheria a primeira rainha da festa, Raquel Maria de Matos, que realmente representou a beleza da mulher lagoense.

O encerramento da primeira festa foi uma só alegria. Não nada mais consagrador do que ver a consumação do evento. Os sócios do clube se abraçavam pela alegria do sucesso. Do alto do palanque, que costumeiramente era armado na porta da igreja matriz, via-se uma multidão que, embora bem menor que das festas atuais, não escondia entusiasmo e alegria. A comunidade participou ativamente da primeira edição, mas muito aquém ao propósito do Lions Clube ao criá-la.

O Lions Clube continuaria na coordenação da festa até que, circunstâncias alheias decretaram o seu fim. Aí pensava-se que morreria com o Lions a Festa do Feijão.

A Prefeitura Municipal, ciente da necessidade da comemoração e do quanto a festa havia caído nas graças do povo, tomou para si as rédeas do acontecimento. A ACAR dava as coordenadas naquilo que era de sua competência.

A festa entrou em decadência por algum tempo, já que não havia um suporte como aquele que o Lions havia criado para a sua realização. A programação foi-se aos poucos esvaziando e só não teve o seu fim, porque foi sustentada por um grupo específico de pessoas que, atendendo a pedidos do então prefeito da época Delfim Gomes Ferreira, tomou a responsabilidade para si da realização de algumas edições.

A fundação do Sindicato Rural em 1977, era esperança de novos rumos à festa. Entretanto, chegou-se um certo tempo que o próprio sindicato definindo objetivos próprios em fase da sua auto-afirmação, da construção de sua sede própria e do parque de exposições, se afastou da realização da festa em 1984, quando a Prefeitura Municipal e a Emater ficaram sozinhas no seu comando, levando-a dentro da limitação cabível.

Foi difícil organizar a festa sem o sindicato. Na prefeitura não havia um departamento específico para que pudesse tomar as rédeas de tudo. O então prefeito nomeou pessoas que gentilmente se dispuseram a fazer realizá-la. Mas, somente com a reestruturação do Sindicato Rural, é que a Festa do Feijão conseguiu sair do casulo para se tornar realmente grande. O comando da festa passaria em definitivo ao Sindicato Rural e a Prefeitura passou à posição de coajuvante.

O advento do Parque de Exposições, que veio a se chamar Lázaro Caixeta Mundim, foi a principal mola propulsora para a revitalização da festa. Aí sim, sentiu-se que a festa não viria a pino e que seu futuro estaria garantido e em casa própria. Acrescenta-se a isso, o espírito empreendedor dos associados do sindicato que, tomando consciência de sua força como entidade promotora, fez consolidar o seu acontecimento. A partir daí, a festa firmou-se definitivamente.

Passou-se algum tempo e o Sindicato Rural, visando afastar-se do período quaresmal quando várias pessoas não ingerem bebidas alcóolicas, resolveu mudar a data de sua realização para o final do mês de abril.

Anos se passaram e, hoje, ela tornou-se um evento que dentre várias atrações, agrega um rodeio de alto nível técnico e shows da melhor qualidade, além de atrair numerosos expositores de animais nos leilões e grandes empresas patrocinadoras. A festa cresceu e evoluiu, tranformando-se em umas das maiores atrações da região. Hoje sim ela dá a seus antigos idealizadores a satisfação de havê-la criado.

Autor: Fábio Emerson de Andrade

Fonte: "Das Histórias de Colo ao Canto da Alma" de Célio Moreira da Fonseca, 1ª Edição.

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